domingo, 13 de abril de 2014


 “Nossa alma é presa a dois cavalos. Um belo e bom. Outro todo ao contrário. Por isso é difícil o governo da alma. É que um puxa para um lado. O outro puxa ao contrário. Ao belo e bom chamaremos de bondade. Ao outro chamaremos de maldade. Ás vezes a maldade morde o freio e arremessa consigo a alma e o cocheiro. Aí, pobre da alma tomada pela maldade!” (Fedro)
                                            


Fedro


Caio Julio Fedro, nascido na Trácia (região que corresponde a parte da Grécia e Bulgária atuais), 15 a.C.. Filho de escravos, provavelmente foi alforriado pelo Imperador romano Augusto. Faleceu 50 d.C..
Procurou enriquecer as fábulas de Esopo, devido a maioria delas não estarem escritas, porém, transmitidas oralmente. Sendo assim, ao redigir suas obras, normalmente satíricas ou morais, tratando das injustiças, males sociais e políticos, expressava as atitudes dos oprimidos e fortes, ocasionalmente breves e divertidas, pela qual, obteve muito sucesso séculos depois dada simplicidade em plena Idade Média.

Seguidor de Esopo, fabulista durante o reinado dos Imperadores Tibério e Calígula, idealizou sátiras dos costumes e personagens da época. Críticas que proporcionou incomodo ao reino ocasionando seu exílio. Na época, tudo relacionado a literatura que buscasse ser espontâneo era considerada obra medíocre. Sendo o único poeta durante o império de Tibério, publicou cinco obras de fábulas esópicas com alusões aos acontecimentos da vida. 


Provável origem do nome...


Fedro  (no original em grego, Φαῖδρος – Faidros) é o nome de uma das obras escrita por Platão, entre 385-370 a.C. O nome refere-se a um dos personagens principais do diálogo, que ao lado de Sócrates, discute o amor como uma metáfora sobre o uso adequado de retórica. A discussão aborda ainda a alma, a loucura, a inspiração divina, a prática e o domínio da arte.


FÁBULAS


A palavra latina Fábula deriva do verbo fabulare (conversar, narrar), e desta origina-se o substantivo português "fala" e também o verbo "falar". A fábula é um gênero literário antigo, encontrado praticamente em todas as culturas humanas e períodos históricos. No princípio, assim como os contos de fada, era transmitido na oralidade, o que justifica a ligação íntima com a "sabedoria popular". Com narrativa pequena, serve para ilustrar algum vício ou virtude humana apresentando sempre uma lição de moral. A maioria das fábulas, para representar esses traços do caráter humano, tem como personagens animais ou criaturas imaginárias (fabulosas).
De acordo com os registros, “As Fábulas” têm origem na Grécia antiga, tendo como maior representante o “grande contador de histórias”, Esopo (século VI a.C). Ainda que Esopo não tenha deixado nenhuma fábula escrita, as narrativas orais foram registradas por alguns autores, dentre eles, se destaca o romano Fedro (15 a.C - 50 d.C). Algumas fábulas de Fedro são extremamente conhecidas, entre elas podemos citar: "A rã e os bois", "A raposa e as uvas" e a "O lobo e o cordeiro”. 
Ainda sobre “As Fábulas de Fedro”, a autora Zélia de Almeida Cardoso em sua obra "A Literatura Latina", cita a importância das fábulas ao estudarmos a poesia didática latina devido ao seu tom moralista. Segundo a autora, mesmo não sendo romano, Fedro, foi o primeiro escritor a escrevê-las em latim. Suas fábulas se compõem em 123 estórias, agrupadas em 05 livros. Inspiradas em textos gregos, atribuídos a Esopo, Fedro as modificou e escreveu também alguns poemas.
Quanto ao estilo e recursos de Fedro, a autora afirma:

“Utilizou-se do mesmo recurso empregado na fábula grega – narrar uma pequena história alegórica, cujas personagens são animais simbólicos, e com ela ilustrar um pensamento ou máxima moral-, mas se distanciou, em parte, do modelo. Escreveu em versos jâmbicos quando as fábulas atribuídas a Esopo são em prosa; aludiu claramente a fatos e pessoas de sua época, o que lhe valeu o exílio, na época de Tibério, quando Sejano, principal auxiliar do imperador, se viu retratado em alguns poemetos; conseguiu ser pitoresco, mesmo construindo textos extremamente breves, e primou pela vivacidade do diálogo.” (CARDOSO, 2011, p. 119)


Este estilo poético, notável pela pureza e nobreza, é muito imitado por escritores de várias épocas e nacionalidades. Entre outras, podemos exemplificar a obra “The True Story of the 3 little pigs! (A verdadeira história dos três porquinhos1)” de Jon Sciezka publicada em 1991 e traduzida pela Companhia das Letrinhas publicada no Brasil em 2005.



Uma de suas obras mais conhecidas


Texto original:

De Vulpe Et Vua

Fame coacta uulpes alta in uinea
Uuam adpetebat summis saliens uiribus;
quam tangere ut non potuit, discedens ait:
“nondum matura est; nolo acerbam sumere”.
Qui, facere quae non possunt, uerbis eleuant,
adscribere hoc debebunt exemplum sibi.


Tradução:

A raposa e a uva

Coagida (impelida) pela fome, a raposa cobiçava o cacho de uva
na alta parreira, pulando com todas as forças;
como não pôde tocá-la, disse, afastando-se:
“Ainda não está madura: não quero apanhá(-la) verde (azeda)”

(Os) que diminuem com palavras, (as coisas) que não podem fazer, deverão aplicar para si este exemplo.

Breve comentário:

Nesta fábula, temos uma raposa que representa metaforicamente uma pessoa maliciosa e astuta, por outro lado a uva que seria o propósito a ser alcançado por ela. Como é possível observar, quando este animal percebe não ser possível aos saltos apanhar as uvas da parreira, conformada, retira-se com as desculpas: ““nondum matura est; nolo acerbam sumere”. (= “Ainda não está madura; não quero apanhá(-la) verde”). Quantos de nós, quando não atingem os objetivos, usamos o mesmo artifício da raposa a fim de justificar a si próprio e aos outros um fato ocorrido? O animal astuto se convence com as próprias palavras maliciosas e vai embora. Neste sentido, como relata os dois últimos versos: “Qui, facere quae non possunt, uerbis eleuant, Adscribere hoc debebunt exemplum sibi.” (= “(Aqueles) que diminuem com palavras, (as coisas) que não podem fazer, deverão aplicar para si este exemplo”.)  A fábula procura nos ensinar que a verdade deve estar acima de todas as coisas, afinal, ela engrandece o homem. Sendo assim, não devemos ser como a raposa, símbolo do animal astuto, que fala muito bem como um sofista, mas não pratica verdadeiramente as suas ações. Enfim, para viver basta ter um bom discurso retórico, ser esperto e malicioso? Aliás, quantos infelizmente são assim? Portanto, compete a nós identificar as raposas que nos cercam e levá-las ao bom caminho, transformando-as em dóceis cordeirinhos.











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